O poder de um bom perfume


 Sexta-feira. Acordei. Tudo certo. Dia normal ritual normal. Barba. Banho... 

Esta espuma tem um cheiro gostoso. Limão? Lavanda? Um pouco de tudo, hoje um pouco mais de lavanda, melhor, banho quentinho e gostoso. Lá fora o ar está frio, até o sabonete não está como eu gosto melhor trocá-lo. Bom, pelo menos cheiro limpo. 

Saindo do quarto sigo o corredor em direção à cozinha e paro. – “Sorriso” gente, Bom dia! Este cheiro de pão assado! Que delícia, isso me lembra da casa de meus avós, ela aquece meu chocolate e ele no fogão explica: “O pão tem que esquentar devagar, não pode queimar esse já merece tratamento, ele pega uma fatia, raspa o queimadinho, espalha uma manteiga fresca que derrete na hora, e penetra na massa”, o cheiro se espalha na casa toda. 

O mesmo cheiro que estou sentindo agora. Gente, que cheiro de felicidade, que prazer de viver! E o dia vai continuar assim. Hora de tirar o carro da garagem! 

Que fome! Não pode ser! Acabei de tomar o café da manhã... Mas estou mesmo salivando! Já sei! É meu vizinho, ele é vidrado em um bom churrasco, ele deve estar começando a assar a costela prometida para meio dia. 

Hum!! Que dia feliz! Com tantos cheiros gostosos quem pode reclamar da vida? Tudo isso me traz boas lembranças. 

Como se pode perceber a minha memória olfativa está trabalhando direitinho nesta manhã de verão e sem dúvida, lendo essas linhas, a sua também começou a reagir, com isso talvez você já esteja com um sorriso de cumplicidade tipo “já senti isso”. 

Cada vez que, conversando com pessoas falo da minha profissão “sou perfumista” ouço um comentário único: ”Você deve ter uma ótima memória olfativa”. 

E é verdade, mas eu gostaria de explicar um pouco mais como funciona essa memória que não pertence ou qualifica só “o perfumista”. 

Eu tenho muitos amigos, familiares e conhecidos com memória olfativa tão boa ou talvez melhor que a minha. O dom mais importante de um perfumista é a intensidade do seu olfato, isso sim é dom, a memória vai facilitar depois o aprimoramento dessa qualidade. Dependendo das pessoas, a memória reage mais a estímulos visuais, auditivos, táteis ou olfativos. 

É evidente que dependendo da particularidade de cada um, uns tem mais acuidade que outros. A olfativa é sem dúvida uma das mais básicas que temos, ela é ligada diretamente à sobrevivência. 

A origem dela no nosso cérebro é o rinencéfalo ou o cérebro do cheiro, esta é a parte mais antiga, mais animal do nosso cérebro, ela reage diretamente com nosso corpo antes mesmo de passar pelo filtro do cérebro inteligente. Por exemplo, o cheiro de churrasco provocou em mim a impressão de fome e até salivação antes de meu pensamento inteligente reagir (acabei de me alimentar e não tenho mais fome). 

O olfato é diretamente ligado com sensações de fome, sede, sexo, medo, etc. É comprovado que a falta total do olfato, se não for tratado leva a um desânimo, chegando com que pessoas cheguem ao suicídio. Da mesma forma um olfato excessivamente desenvolvido e não controlado, vai levar a esquizofrenia e loucura. Todo mundo sabe que cheiro forte demais é insuportável. 

A verdade simples é que cada um de nós nasce com uma memória olfativa virgem, pronta para analisar e armazenar todos os cheiros que nós encontramos pela frente. É lógico que nosso computador vivo tem diversas maneiras de classificar e guardar esses estímulos. Um dos mais simples e eficazes é: cheiro bom (de felicidade) e cheiro ruim (dor, tristeza, infelicidade). Por exemplo, o primeiro cheiro percebido pelo neném é acompanhado de dor, não há dúvida que nascer é doloroso, cheiro de hospital, assepsia, etc. serão pelo resto da vida dele um cheiro a evitar, da mesma forma o cheiro da mãe dele será em geral o primeiro cheiro de felicidade, conforto, essas primeiras sensações vão ficar gravadas na memória dele pelo resto da vida. 

Uma pesquisa em uma creche comprovou essa gravação na memória olfativa. Nesta escola infantil pediram para as mães na hora de deixar suas crianças (2 ou 3 anos de idade), colocar na mesa central uma peça da vestimenta usada por elas, deixando as crianças sozinhas um tempo suficiente para provocar nelas um sentimento de insegurança. Verificou-se que cada uma foi procurar a peça deixada pela própria mãe e ninguém se enganou. 

Cada acontecimento importante (na opinião do indivíduo) fica automaticamente guardado na memória e o sentido olfativo é o mais sensível de todos, é fácil conhecendo o passado de um ser humano, fazê-lo mudar de humor só emitindo cheiros que nós sabemos ser para ele de felicidade ou infelicidade. 

Depois dessa afirmação, muitas pessoas vão querer provar “cheiros que os façam sorrir, ficar felizes ou até cheiros que os façam chorar”, e eu então responderia na hora “diga-me quem és e vou tentar”. Só um profundo conhecimento da pessoa vai permitir essa façanha. 

Mas podemos simplificar um pouco. É evidente que certos tipos de cheiros implicam felicidade para a maioria das pessoas, cheiro de primavera, de flores do campo, cheiro de praia no verão. Conhecendo os costumes, os esportes, os momentos de lazer e festividade de uma comunidade, sabemos que podemos atingir uma proporção grande de indivíduos. O conhecimento do grupo estudado ajuda muito neste trabalho, pesquisas de mercado são essenciais mesmo se às vezes o resultado é diferente do pretendido. Uma análise posterior mostra a razão de ter se chegado a esse resultado. 

Podemos pegar como exemplo uma pesquisa feita no mercado americano (USA) com uma pergunta simples. 

- Qual é o cheiro mais afrodisíaco que você conhece? 

A resposta obtida é para nós brasileiros é incrível, o cheiro escolhido é o de torta de abóbora. 
Mas com pouco de reflexão, descobrimos que torta de abóbora é sinal de festa para eles, principalmente no dia da Independência. 

Festividade quer dizer também felicidade e, de novo, nosso “cheiro de felicidade”. Por exemplo, o sexo para o reino animal (o nosso) é um tipo de festa, felicidade, muito importante, ligada inconscientemente e procriação e perpetuação da espécie. 

Desde a infância cada grupo vai acumulando ao lado de estímulos secretos, particulares, estímulos de grupo motivados pela educação, estilo de vida, situações econômicas, religiosas, climáticas, alimentares, etc. Assim temos gostos semelhantes de origens étnicas orientais, negros, brancos. 

ORIGEM CLIMÁTICA – perfumes mais fortes ou mais suaves dependendo da temperatura, do suor, da frequência de banhos, etc. Sem falar de uma série de fatores e de clichês olfativos que motiva nossas escolhas. 

Quem nos disse que cheiros de limão, folhas verdes, frutas cítricas combatem gordura? Quem ensinou que cheiros de flores, bálsamos e frutas combatem ressecamento? 

Infinitas tradições, receitas de avós, mães, tias são responsáveis por essas sensações olfativas. Cada civilização, cada país tem seus cheiros de felicidade particular. 

Uma pesquisa rápida do consumidor brasileiro de classe média revela pelo menos três tipos de cheiros reconhecidos pela maioria como cheiros de felicidade: 

- a alfazema ou lavanda que em certos casos chegam a proteger até do “mau olhado”; 
- o cheiro de talco, resultado do uso intenso deste produto no tratamento de várias gerações de recém-nascidos (sensação de bem estar); 
- e mais tarde o cheiro de chuva ou terra molhada. Uma pesquisa simples em universidades do Brasil, do extremo sul ao extremo norte, mostrou que esta fragrância é considerada o melhor cheiro já conhecido. 

Outros cheiros são bastante discutidos, dependendo da memória dos entrevistados, o cheiro de mato, por exemplo, é considerado desagradável para pessoas de origem nordestina (esse cheiro lembra para eles fome, sede, cansaço) e se torna um cheiro de sonho, felicidade para pessoas de cidades grandes (lembra campo, sítio, liberdade, ar puro). 

Cheiros doces de frutas tropicais, coco, banana, caju que agradam tanto os europeus, são para os brasileiros às vezes cheiros baratos ou enjoativos. 

Para finalizar devemos lembrar que para a maioria dos seres humanos os cheiros são percebidos durante o dia inteiro, provocando sensações de prazer, tristeza, felicidade, fome, desejos, sonhos, de forma inconsciente em mais de 80% dos casos. É frequente uma pessoa salivar sem ter noção que um cheiro de torta de morango, carne grelhada e outros é motivo dessa manifestação inconsciente do seu organismo. Muita gente lembra sem razão aparente da sua mãe, avó, filha sem perceber de forma consciente que o cheiro, o perfume presente no ambiente é a causa dessa lembrança repentina. 

O que diferencia o olfato é a memória olfativa do perfumista em relação das outras pessoas, é o esforço constante de conscientização e atenção a todos os cheiros presentes em qualquer lugar, qualquer ocasião, um tipo de formação profissional. 

É muito interessante uma pessoa prestar mais atenção aos cheiros que correm em volta dela e não prestar atenção nas reações que elas provocam no seu corpo e na sua mente, por exemplo, encontrando uma bela mulher com um bom perfume a primeira impressão que você vai ter, será: Essa mulher é sofisticada, elegante, esportiva, simpática e depois você vai perceber que o seu perfume foi que chamou atenção para tudo isso e combina com ela. 

Eu tenho certeza que qualquer pessoa vai se surpreender muito e até se conhecer um pouco mais. 

Artigo por: Jean Luc Morineau - Perfumista
Fonte:        latelierparfums.com.br/curso01.htm
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